sábado, 29 de novembro de 2008

Renovação Cadastral - Registro de revolta

Me desculpem, mas preciso registrar minha revolta.
Neste mês de novembro o Itaú começou a cobrar a taxa de “Renovação Cadastral”. Se você não sabe o que é eu vou explicar. É um procedimento que o Banco Central do Brasil obriga que as instituições bancárias implementem e abre espaço para que cobrem. A questão é que essa Renovação Cadastral serve como proteção das instituições financeiras que oferecem crédito. É uma forma de vasculhar a nossa vida financeira para saber se temos pendências e descobrir se estamos com a ficha limpa e decidir se podem nos oferecer mais crédito. Em primeiro lugar, eu não quero crédito!!! Em segundo lugar, eles querem saber sobre a minha vida financeira e eu que tenho que pagar por isso!!!! Por último, estou pagando por um serviço que não me beneficia ou favorece em nada e, pelo contrário, beneficia somente ao banco e às empresas que vão prestar o serviço de “vasculhar” nossa vida para o banco. É, alguém está ganhando dinheiro com isso, e não sou eu!
De qualquer forma, recebemos uma carta nos informando sobre essa cobrança que começaria a ser feita em conta corrente e fomos até a nossa agência “tirar satisfações”. Abrindo um parênteses, os gerentes de banco hoje não têm tanto poder de decidir nem de resolver muita coisa. O que eles têm é metas de venda de seguro, cartão de crédito e aplicação com rentabilidade baixa. Fecha o parênteses. Então, chegamos lá dispostos a não nos conformarmos com o pagamento dessa nova taxa, mas, resumindo a história, não resolvemos nada. O que fomos informados era que todos os bancos estavam cobrando e que não tinha como correr, mas que deveríamos ficar felizes pois a taxa do nosso banco era uma das menores do mercado. = Z
Não tinha conversa, era algo que vinha “de cima”. O sistema do computador foi configurado para executar a ação e ninguém poderia mudar isso. Mas sim, há uma luz no fim do túnel! Nos explicaram a política de redução de taxas. Para termos descontos em todas as taxas o nosso relacionamento com o banco tinha que ser bom. Eu já coloquei a cabeça para pensar: “Vou começar a mandar flores e chocolate para a gerente!” Nada disso, o nosso “relacionamento” com o banco deveria ser de R$ 16.000,00 “parados” em aplicações no banco e então teríamos isenção total das taxas. É, quase lá...
Quero deixar então alguns questionamentos que já respondo também:
Por que ninguém do banco se revolta contra isso? Eles não pagam taxas...
Por que os ricos não se revoltam contra isso? Porque têm um “bom relacionamento” com o banco.
Por fim, a cobrança é por CPF, então prepare-se para pagar o dobro! Mesmo assim, tente as flores e o chocolate, se a gerente for solteira, você se casa com ela e ganha isenção também!!!

Marcadores: , , ,

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Crise e estilo de vida.

Nosso estilo de vida e consumo nem sempre reflete a nossa real condição financeira. Quando usamos dinheiro emprestado para fazer compras criamos uma ilusão de que podemos manter um padrão de vida maior do que aquele que temos hoje. A crise que foi criada nos EUA tem como base esse estilo de vida financiado, que foi além do que poderiam imaginar. Com a oferta de grandes empréstimos para pessoas que não teriam condições de pagar (chamado de subprime), criou-se um aumento inicial no consumo de casas, carros, etc, gerando um aumento na economia que não era baseado na “realidade” da população. Quando isso tudo veio a baixo, o estouro da bolha, como ficou conhecido, o mundo todo sofreu as conseqüências da inconseqüência. O Brasil ainda “está longe” de chegar nesse patamar, uma vez que financiamos “apenas” 1/3 (um terço) do nosso PIB, mas ainda assim a questão é preocupante.
O que vimos, foi que nos últimos anos, usar dinheiro emprestado passou a ser algo culturalmente aceitável. Não é mais tão comum ver pessoas pagando suas contas com dinheiro. As lojas não oferecem mais incentivos para que se pague em dinheiro, mesmo que elas tenham que pagar até 6% do valor para a operadora do cartão de crédito. Pagar suas contas com dinheiro emprestado era algo inaceitável 80-50 anos atrás e o dinheiro emprestado servia apenas para casos de emergência e desastres como uma praga na colheita. Hoje, as únicas “pragas” que atacam as nossas “colheitas” são o juros, o cheque especial e o pagamento do mínimo do cartão de crédito.
A questão mais delicada é que, estamos usando dinheiro emprestado para tudo! Até para o que não é necessário. Sim, muitas famílias passam por necessidades, e por dificuldades e acabam recorrendo ao crédito, mas muito pode ser feito para minimizar o impacto desses momentos de crise. O que acontece é que somos levados a ostentar um padrão de vida superior àquele que realmente temos condições de manter e por isso muitos vivem endividados. Lembre-se, alguém sai ganhando com isso, e não é você!